No início do ano fiz um pequeno trabalho de pesquisa sobre uma doença neuromuscular chamada Miastenia gravis. Ela é um pouco extensa, mas informação pertinente nunca é perdida e derrepente você é portador disso (eu espero que não) e não sabe. Vale a pena dar uma lida e entender o que acontece. Eu ja havia postado esse artigo em um outro blog, mas ja fazem alguns longos meses e agora ele é bem pertinente ao nosso contexto.
MIASTENIA GRAVIS
1- Características gerais
A Miastenia gravis é uma doença na qual enquadramos como doença auto-imune. Isso se dá por causa da presença de anticorpos (proteínas de defesa) do próprio organismo, que atacam os receptores de acetilcolina nas junções neuromusculares, junção essa que conhecemos pelo contato entre o nervo e o músculo. A acetilcolina é um neurotransmissor, ou seja, é uma substância química liberada mediante impulsos nervosos, e ela de extrema importancia na passagem do estímulo nervoso ao músculo e também tem a função de provocar contrações musculares responsáveis pelos movimentos. Por esses fatores todos ela é uma doença neuromuscular.

Figura 1 – Junção neuromuscular normal (A) e junção miastênica (B)
A principal característica da Miastenia é a fraqueza acentuada dos músculos, ou seja, aquilo que conhecemos como fadiga. Geralmente acontece logo depois de feito um exercício físico, mas pode também acontecer ao final do dia, pois as funções musculares já foram exigidas no decorrer do tempo. É importante frisar que, geralmente, a pessoa com Miastenia sente-se forte quando está descansada, mas no decorrer do dia, quando os músculos são exigidos, a fraqueza vai aumentando e o cansaço aparente é uma das fortes características.
Não se tem noção do porque esses auto-anticorpos são produzidos, mas já se tem conhecimento de que a doença ataca principalmente mulheres entre 20 e 40 anos, porém pode aparecer em qualquer idade, devendo o organismo estar pré-disposto à doença (fatores genéticos). Os bebês de mãe portadoras da doença, podem ter risco elevado para a aquisição da Miastenia, pois a possibilidade de contrair anticorpos maternos via placenta é grande, mas no geral esses sintomas desaparecem dentro de algumas semanas.
A proporção de vitimas da Miastenia é de seis mulheres para cada quatro homens. Após os 50 anos de idade, a doença acomete mais aos homens do que as mulheres.
1.1 Acetilcolina
Como já dissemos, a acetilcolina é um neurotransmissor importante para a passagem do estimulo nervoso ao músculo. Nas junções neuromusculares normais, as vesículas liberam acetilcolina de locais específicos da terminação nervosa. A substancia (acetilcolina) atravessa o espaço sináptico (entre o nervo e o músculo) para alcançar os receptores. Quando a acetilcolina inicia o processo de hidrólise, aparece uma enzima chamada acetilcolinesterase, que acaba por encerrar o processo iniciado pela acetilcolina, destruindo-a.
Nas junções miastênicas, o que acontece é um numero reduzido de receptores da acetilcolina, as fendas sinápticas são bem mais simples e com espaços mais largos e a terminação nervosa é normal.
2- Sintomas
Como a Miastenia pode aparecer em todo e qualquer músculo voluntário (tecido muscular estriado), os sintomas podem ser diversos também, dependendo da função do músculo. Mas o primeiro sintoma verificado é a fraqueza nos músculos dos olhos: debilidade dos músculos elevadores das pálpebras (ptose), visão dupla (diplopia) e fraqueza nos músculos oculares (estrabismo). Geralmente esses músculos são inicialmente afetados em 40% das pessoas com princípio de Miastenia, mas no decorrer do tempo, 85% das pessoas apresentam esse sintoma também. Outros sintomas fortemente apresentados são: dificuldades para engolir (disfagia), dificuldades para falar e quando fala apresenta voz anasalada (disfonia), fraqueza nos músculos de mastigação (com conseqüente descaimento do maxilar inferior), fraqueza nos músculos dos membros (dificuldade para andar, subir degraus, elevar os braços para diversas tarefas simples como pentear). Segundo alguns autores, a fraqueza dos músculos respiratórios é potencialmente fatal e causa morte da vitima em quase todos os casos.
Existe um outro fator que é chamada de crise miastênica e essa mesma pode desenvolver-se repentinamente, sem aviso prévio, ativada por fatores físicos ou emocionais, e pode ocasionar problemas na respiração, movimento e/ou na deglutição.
3- Diagnóstico
No caso dessa doença, o histórico clinico do paciente é o melhor diagnóstico. Uma pessoa que apresenta qualquer debilidade característica, em especial na face, é uma vitima em potencial dessa doença. Testes físicos são feitos para constatar a Miastenia, caso reste duvidas. Alguns pacientes apresentam um tumor na glândula do timo (timona) e esta alteração pode ser a responsável pela disfunção do sistema imunitário. Uma tomografia axial computadorizada (TAC) ao tórax pode detectar a presença desse timona.
Testes de função pulmonar também são feito e medem a eficiência respiratória a fim de identificar problemas causados pela doença. Exame de Radioimunoensaio, que tem por finalidade detectar a presença dos anticorpos específicos dos receptores, são imprescindíveis.
Outro exame potencial para descobrir em que estágio está a doença é a Excitação nervosa repetitiva, que consiste em descarregar eletrecidade (pequenos choques) que estimularão os nervos e verificarão os potenciais de ação do músculo em resposta a essa ação.
4- Tratamento
Como sabemos, os receptores de acetilcolina são bloqueados, o que gera essa insuficiência, e fármacos podem ser úteis. Em pesquisas feitas pela iniciativa privada, comprovou a eficaz potencialidade do composto edrofónio.
Esse composto, quando administrado por via endovenosa, produz uma melhoria temporária da força muscular.
Outros dois fármacos que auxiliam no aumento de produção da acetilcolina são a piridostigmina e neostigmina. No entanto, o acompanhamento das doses desse medicamento deve ser supervisionado justamente porque, em doses elevadas, os princípios ativadores de produção da acetilcolina são prejudicados, piorando a situação do doente. Costumamos dizer que, com tratamento adequado, o paciente tende a ter uma vida quase que rumo à normalidade, sem problemas significantes.
Já foram constatados alguns casos onde a Miastenia entrou em remissão temporária e a fadiga muscular desapareceu totalmente, de modo que a medicação pode ser descontinuada. O tratamento tem um objetivo claro desde seu princípio: uma remissão completa, estável e duradoura. Ainda não existe uma cura total, mas o que já se tem disponível recobra uma qualidade de vida mínima a vitima da Miastenia gravis.
Fontes consultadas: Livros de Fisiologias Médicas