PORQUE SANGUE HUMANO ATRÁI MOSQUITOS
Quando chegou a hora de o ecólogo químico Walter Leal, testar se os seres humanos produzem um odor natural que atrai os mosquitos, o próprio Leal foi o primeiro voluntário. “Eu medi meus próprios níveis”, disse Leal. “Eu pensei que eu daria um bom exemplo. Se você fizer isso primeiro, depois os outros não vão ter medo.”
Na verdade, existe pouca ou nenhuma razão para se ter medo. Os cientistas estavam procurando apenas a substância em si, não tentando descobrir se o composto pode atrair os insetos para uma refeição de sangue. E os pesquisadores descobriram isto – nonanal, uma substância produzida por seres humanos e aves, que cria um cheiro forte que os mosquitos Culex não resistem quando a encontram.

Mosquito Culex quinquefasciatus
Creditos e versão maior da foto
Leal apenas teve que arregaçar as mangas. Seus colegas colocaram uma seringa como instrumento, ao lado de sua pele, e em seguida colocaram o braço envolto em papel alumínio para manter o ambiente confinado. Após uma hora, a ponta da seringa foi injetada em uma máquina especial para ver se a mesma continha nonanal e, em caso afirmativo, o quanto seu corpo havia produzido.
Abundânte, foi como ela saiu. “É ali. Temos muito disso,” ele disse. “Eu acho que lançou 20 nanogramas por hora. Isso é muito alto.” Esses resultados podem muito bem explicar o que aconteceu com ele há dois anos no México, durante uma viagem de caça ao besouro de campo quando – apesar de muitas precauções – mosquitos foram atrás dele com vingança.
Walter Leal, professor de etmologia e Zain Syed, pesquisador de pós-doutorado, trabalhando juntos no lab. de Leal, na Universidade da Califórnis, em Davis.
“Havia tantos mosquitos, eu não podia acreditar”, Leal lembrou. “Eu pulverizei Deet em toda parte do meu corpo, inclusive no meu cabelo. Na manhã seguinte, percebi que eles tinham passado por minhas meias e me mordido como loucos – e eu estava usando meias grossas. Se você se esquecer em um determinado lugar, os mosquitos irão encontrá-lo – e ir para dentro. Eles passarão por qualquer coisa, até mesmo jeans, desde que saiba que existe um vaso sanguíneo, do outro lado. Eles podem sentir o calor “.
No entanto, enquanto a maioria das pessoas evitam insetos, especialmente os que mordem, Leal, o professor de entomologia da Universidade da Califórnia (UC), em Davis, procura-os com entusiasmo.
“A diversidade e a fisiologia dos insetos é muito notável”, disse ele. “Um inseto é muito diferente do outro – isso é o que os torna tão interessante.”
Em sua pesquisa, Leal é mais conhecido por seu trabalho com feromônios sexuais de insetos (mensageiros químicos) e da ecologia química de insetos e de comunicação, todas com potenciais aplicações para controle de pragas. Ele descobriu porque os mosquitos são repelidos por Deet – eles realmente odeiam o cheiro – e ele identificou e sintetizou os complexos feromônios de insetos, como escaravelhos, percevejos, besouros chifrudos, traças, o verme laranja naval e até baratas.
“Eu posso trabalhar com qualquer inseto, incluindo a barata”, disse ele. “Elas não são tão agradáveis. Elas comem quase tudo, por isso é impossível fazer um ambiente não é acessível a elas. E é difícil para matá-las – elas têm sensores para o ar, então quando você tenta bater nelas, elas detectam a movimento e fogem. Ouvi dizer que existem pessoas que comem baratas, só para mostrar que não está tão ruim. Eu não sou um deles. “
Seu favorito? Escaravelhos. “Eles são tão bonitos e elegantes”, disse ele. “Mas é muito difícil trabalhar com eles aqui na Califórnia, porque muitas das espécies são invasoras. Portanto, não podemos tê-los na Califórnia”.
Leal cresceu em Recife, Brasil, onde sua irmã e três irmãos ainda vivem. “Eu sou o único que saiu”, disse ele. Ele fez sua primeira viagem à América em 1976 como estudante, para ajudar nas histórias do noticiário sobre a seleção brasileira de futebol, durante a Copa do Mundo Bicentenário. “Eu ainda tenho o passaporte”, disse ele.
Tornou-se interessado em questões ambientais ainda na faculdade, e recebeu seu diploma de bacharel em Engenharia Química pela Universidade Federal de Pernambuco, em Recife. Ele ganhou dois graus de especialização em universidades no Japão, onde passou 16 anos, a maioria deles trabalhando para o governo japonês. Ele obteve um mestrado em química agrícola da Universidade de Mie em Tsu-Mei, e um doutorado em bioquímica aplicada na Tsukuba University, em Tsukuba, perto de Tóquio. Ele se mudou para os Estados Unidos em 2000, quando ele se juntou ao corpo docente da UC Davis.
Recentemente, ele foi selecionado como membro da Sociedade Entomológica do Norte, um prêmio de prestígio que reconhece até 10 membros cada ano, por suas pesquisas e contribuições de ensino.
A esposa de Leal é professora de escola primária e o casal tem três filhos. Um está na faculdade e os outros dois são de 12 e 9 anos. Leal afirma não ter hobbies. “Trabalho tão duro, não tenho tempo de sobra”, disse ele. “Na verdade, tenho hobbies, mas não tenho tempo para eles.” Andar de bicicleta é um deles, por isso ele vai ao trabalho de bicicleta quase todos os dias. Ele leva cerca de dez minutos. “Davis é uma pequena cidade amigável para bicicletas, com muitos atalhos”, disse ele.
Tanto quanto Leal ama os mosquitos, ele diz não preferir os mesmos às pessoas. Muito pelo contrário, na verdade. “Eu gosto muito mais das pessoas, é por isso que eu trabalho com mosquitos, para proteger as pessoas deles.”, disse ele.
Este é um artigo traduzido para o português brasileiro, do original em inglês “Why Human Blood Drives Mosquitoes Wild“.
Texto original de:
– Marlene Cimons, National Science Foundation, mcimons@nsf.gov
Pesquisadores:
Walter Leal
Instituições/Organizações envolvidas:
Universidade da Califórnia – Daves
Localização:
Califórnia – EUA
Custo da pesquisa (em dólares US):
UU$ 496,127

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Ha algum tempo atrás, colocamos uma enquete na lateral do site e a questão proposta era a seguinte: Qual assunto mais te fascina? As opções disponíveis para resposta eram a Genética, Biologia Celular/Molecular, Zoologia/outros, Embriologia e Botânica. Como regra, fizemos com que a votação pudesse ser feita apenas uma vez e com apenas uma escolha por votação, o que deu mais credibilidade nas estatísticas.
É inegável que nós, a raça humana, somos os responsáveis diretos pelas inúmeras falhas e crimes ambientais que temos visto por aí. A matanças de animais de modo desenfreado, que leva à extinção de N espécies é apenas um dos exemplos que podemos citar aqui, assim como o tráfico de animais silvestres, que são retirados de seus habitat’s nativos com o intuito de ganhar dinheiro.










